Abelhas sem ferrão podem ser criadas como “pets de baixa manutenção” e ajudam a conservar espécies nativas
Abelhas sem ferrão podem ser criadas como “pets de baixa manutenção” e ajudam a conservar espécies nativas
Criar abelhas nativas sem ferrão em casa tem se tornado uma alternativa interessante para quem deseja um animal de estimação diferente, de baixo custo e pouca manutenção. Além de proporcionar contato com a natureza, a prática também contribui para a conservação de espécies importantes para a polinização.
No município de Umuarama, no Paraná, a iniciativa de incentivar essa atividade vem da Universidade Estadual de Maringá (UEM). O campus local desenvolve ações educativas e cursos voltados ao manejo de abelhas nativas.
O projeto conta com meliponários didáticos que permitem ao público conhecer diferentes espécies e aprender sobre sua importância ecológica.
O que são abelhas sem ferrão
As chamadas abelhas sem ferrão pertencem ao grupo Meliponini, que reúne mais de 300 espécies nativas das regiões tropicais.
Essas abelhas evoluíram junto à flora brasileira e desempenham papel essencial na polinização de plantas nativas e cultivadas.
Entre as espécies mais conhecidas estão:
- Tetragonisca angustula (Jataí)
- Melipona quadrifasciata (Mandaçaia)
- Plebeia spp. (Mirins)
Ao contrário da abelha europeia Apis mellifera, amplamente usada na apicultura, essas espécies produzem menos mel, porém ele costuma ter alto valor gastronômico e medicinal.
Abelhas como animais de estimação
Segundo especialistas envolvidos no projeto, criar abelhas sem ferrão pode ser comparado a ter um “pet de baixa manutenção”.
Entre as principais vantagens estão:
- não oferecem risco de ferroada
- não precisam de passeios ou alimentação diária
- ocupam pouco espaço
- contribuem para a polinização do jardim
Além disso, a atividade pode ser educativa e terapêutica. Crianças podem aprender sobre organização social e sustentabilidade, enquanto adultos e idosos encontram na observação das colônias uma forma de relaxamento e conexão com a natureza.
Meliponários educativos
O projeto da universidade mantém dois meliponários didáticos:
- um localizado na fazenda experimental da universidade
- outro no Bosque Uirapuru
Esses espaços reúnem diversas espécies de abelhas nativas e recebem visitantes interessados em aprender sobre:
- biologia das abelhas
- importância da polinização
- técnicas de manejo
Atualmente, devido à alta procura, as colônias não são mais doadas ao público em geral. As doações são destinadas principalmente a escolas, instituições educacionais e centros de atendimento social.
Captura de colônias com iscas
Mesmo sem doação de colmeias, o projeto ensina uma técnica simples para iniciantes: a captura de colônias com iscas feitas de garrafas PET.
Durante cursos e oficinas, os participantes aprendem:
- como fabricar iscas atrativas
- onde instalá-las
- como identificar a captura de uma colônia
- como transferir as abelhas para caixas de madeira
Essa prática permite formar novos meliponários domésticos de forma sustentável.
Cuidados básicos na criação
Apesar de serem consideradas de baixa manutenção, as abelhas sem ferrão também precisam de alguns cuidados.
Entre os principais:
- manter as colmeias em local sombreado, com sol apenas pela manhã
- evitar retirar todo o mel da colônia
- observar sinais de pragas ou predadores
- garantir disponibilidade de flores na região
Uma das principais ameaças são as moscas forídeas, pequenos insetos que podem invadir os ninhos e prejudicar a colônia.
Legislação sobre criação de abelhas nativas
No estado do Paraná, a criação de abelhas sem ferrão é regulamentada pela Lei Estadual 19.152/2017.
A legislação permite a criação para:
- lazer
- educação ambiental
- pesquisa
- conservação
- consumo familiar de mel
Criadores com até 10 colmeias podem manter a atividade como hobby sem necessidade de licença ambiental. Ainda assim, órgãos de defesa agropecuária recomendam o cadastro voluntário, para auxiliar no monitoramento das espécies conservadas.
Conservação através da meliponicultura
Mais do que produzir mel, a criação de abelhas nativas pode se tornar uma forma prática de conservar a biodiversidade.
Ao manter colônias em jardins, quintais ou propriedades rurais, os criadores ajudam a ampliar as populações dessas espécies e fortalecer a polinização da vegetação local.
Assim, um simples meliponário doméstico pode contribuir diretamente para a saúde dos ecossistemas brasileiros.



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