Microchips em abelhas nativas ajudam a revelar a rotina das colônias

Pesquisa utiliza identificação por radiofrequência para acompanhar as passagens das abelhas pelas caixas e relacionar sua atividade às condições do ambiente.
A que horas uma abelha começa a trabalhar? Como sua atividade muda com a chuva? Uma pesquisa divulgada pela Embrapa em agosto de 2015 utilizou microchips para investigar a rotina desses insetos.
Na época da divulgação, 1.920 abelhas do meliponário científico da Embrapa Amazônia Oriental, em Belém, já estavam identificadas. O trabalho envolvia três espécies: uruçu-cinzenta (Melipona fasciculata), uruçu-amarela (Melipona flavolineata) e uruçu-da-bunda-preta (Melipona melanoventer). [1]
Um crachá eletrônico no tórax
A tecnologia é chamada RFID, sigla em inglês para identificação por radiofrequência. Cada etiqueta permite reconhecer uma abelha quando ela passa perto da antena instalada na entrada da caixa.
Em um estudo publicado em 2020 com Melipona fasciculata, os pesquisadores detalharam etiquetas passivas, sem bateria, coladas externamente no tórax. Elas mediam 2,5 × 2,5 × 0,3 milímetros e pesavam 5,4 miligramas. O computador registrava a identificação e o horário de cada leitura. [2]
A detecção ocorria a aproximadamente três centímetros da antena. Assim, o sistema registrava a passagem pela entrada; o trajeto percorrido durante a viagem permanecia desconhecido. [2]
O que o clima tem a ver com isso?
Na pesquisa divulgada em 2015, os registros das abelhas eram relacionados aos dados de uma estação meteorológica no meliponário. A proposta era investigar como temperatura, chuva e umidade influenciavam sua atividade. [1]
Esse acompanhamento permite formular perguntas úteis à meliponicultura: em quais condições as viagens diminuem? Os horários mudam entre dias secos e chuvosos? As respostas precisam vir dos dados de cada situação.
Retornos registrados a até 10 quilômetros
O artigo de 2020 mostrou outra aplicação da ferramenta. Os pesquisadores transportaram operárias de uruçu-cinzenta e as soltaram a diferentes distâncias, registrando seu retorno às colônias. Houve retorno após soltura a até 10 quilômetros. [2]
O resultado demonstra capacidade de retorno nas condições do experimento, sem estabelecer uma distância habitual de coleta. A proporção de abelhas que retornavam diminuía com a distância de soltura. [2]
Cada espécie exige avaliação
Esses resultados não demonstram que etiquetas com o mesmo tamanho e peso sejam adequadas à jataí ou a outras espécies menores. [1] [2]
Para a meliponicultura, a contribuição dessa tecnologia está em transformar passagens individuais em registros que podem ser analisados. Com perguntas bem definidas, esses dados ajudam a investigar a relação entre a rotina das colônias e o ambiente.
Fontes
- Embrapa Amazônia Oriental. Estudo monitora abelhas nativas por meio de microchips. Notícia publicada em 25 de agosto de 2015 e reproduzida pela Fapeam em 10 de setembro de 2015. Leia a reportagem na Fapeam.
- Nunes-Silva, P. e colaboradores. Radiofrequency identification (RFID) reveals long-distance flight and homing abilities of the stingless bee Melipona fasciculata. Apidologie, volume 51, páginas 240–253, 2020. Consulte o artigo científico ou acesse o PDF no repositório da Embrapa.


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