Vida Real ou Last of Us? Fungo pode usar abelhas para se espalhar pelas florestas

Vida Real ou Last of Us? Fungo pode usar abelhas para se espalhar pelas florestas

Um “Last of Us” do mundo das abelhas, mas ao invés de transformar as abelhas em zubis of fungos estão “mandando” elas transportarem (ifood de invasões) seus esporos para se espalharem mais e mais entre as plantas da família do eucalipto, pitanga, goiaba.

O estudo foi feito na Austrália e vejam as conclusões:

– Na Austrália, a abelha-europeia Apis mellifera foi observada coletando esporos de um fungo chamado Myrtle Rust (ferrugem-das-mirtáceas).

– Os esporos do fungo têm mais de 22% de proteína.

–  Contêm todos os aminoácidos essenciais para o desenvolvimento das larvas.

–  Larvas alimentadas com esses esporos cresceram tão bem quanto larvas alimentadas com pólen de alta qualidade.

As abelhas estão fazendo desses esporos como um alimento nutritivo, um “um pólen alternativo”.

Qual é o problema?

– O fungo produz esporos infecciosos. Quando as abelhas os coletam:

– Levam os esporos para a colmeia.

– Os esporos permanecem viáveis por pelo menos 9 dias.

– As abelhas podem transportá-los para outras plantas.

Colmeias comerciais transportadas por longas distâncias podem ajudar a espalhar a doença.

Ou seja, a mesma eficiência que torna as abelhas excelentes polinizadoras pode transformá-las em vetores involuntários da doença

Como o fungo se propaga

Não sei se já existe esse termo, mas os autores do estudo dizem que parece estar ocorrendo um “MUTUALISMO INVASIONAL”.

  • A abelha ganha uma nova fonte de proteína.
  • O fungo ganha um meio eficiente de transporte.

As duas espécies se beneficiariam mutuamente, aumentando seu sucesso ecológico.

A chantagem já existe no mundo natural, o próprio pólen e néctar é uma forma das plantas manipularem o comportamento dos outros animais e assim se reproduzirem ou transportarem sementes para longe. Essa é uma nova interação que a longo prazo poderá prejudicar os próprios polinizadores. É um alerta para o uso das espécies exóticas invasoras em ambientes naturais.

Esse é um alerta para o que também pode ocorrer aqui no Brasil, tanto para nossas abelhas, quanto para nossas plantas.

Fonte:

Sacchi Shin-Clayton et al, Honey bees as potential vectors of the invasive rust pathogen Austropuccinia psidii: nutritional mutualism and implications for pathogen spread, NeoBiota (2026). DOI: 10.3897/neobiota.106.169027

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